A Leitura Digital Afeta a Lembrança do Que Lemos?

Esse é mais um estudo sobre um assunto que vem sendo bastante discutido nos últimos tempos. Além das discussões que já tivemos no grupo do Revolução (cadastre-se aqui) também publicamos artigos com as mesmas questões.

Um artigo do site da Time sugere que é mais difícil armazenar informação quando lemos na tela. A professora de psicologia da Universidade de Leicester Kate Garland estudou a questão, e chegou à conclusão de que não há diferença perceptível entre a mídia impressa e a digital.

Entretanto, em estudos mais longos, percebeu-se que mais repetição foi necessária com a leitura de computador para transmitir a mesma informação. Além disso, os leitores de livros impressos digeriram o material de forma mais completa. “O que descobrimos foi que as pessoas na leitura em papel começam a “saber” o material mais rapidamente durante a passagem do tempo”, diz Garland.

Isso pode ser particularmente importante porque a evolução pode ter moldado a mente para recuperar facilmente sinais de localização, para que possamos encontrar o nosso caminho de volta. Como o neurocientista Mark Changizi coloca:

Na natureza, a informação é fornecida com um endereço físico (e muitas vezes também com um temporal), e uma pode navegar para e a partir do endereço. As manchas de framboesa que encontramos no ano passado estão em cima da colina e pelos bosques – e elas ainda estão em cima da colina e pelos bosques.

E até o surgimento da web, os mecanismos de armazenamento de informações eram em grande parte espaciais e podiam ser navegados, assim, explorando nossas capacidades de navegação inatas. Nossas bibliotecas e livros – os reais, não os eletrônicos – eram extremamente navegáveis.

eBooks, no entanto, fornecem menos marcos espaciais do que a impressão, especialmente os mais simples, como os primeiros Kindles, que simplesmente percorrem o texto e nem sequer mostram os números das páginas, apenas a porcentagem já lida. Em certo sentido, a página é infinita e ilimitada, o que pode ser confuso. Livros impressos, por outro lado, nos dá um ponto de referência físico, parte da nossa recordação inclui o quanto de um livro já lemos, algo que é mais difícil de avaliar em um eBook.

Jakob Nielsen, especialista em usabilidade na web, afirma que as telas menores também tornam o material menos memorável. “Quanto maior a tela, mais as pessoas podem lembrar e quanto menor, menos elas podem se lembrar”, diz ele. “O exemplo mais dramático é a leitura a partir de telefones móveis. Você perde quase todo o contexto.”

O virar de páginas também é importante. O fato de poder retroceder duas ou três páginas e poder contemplar os dois conteúdos – o antigo e o atual – ao mesmo tempo gera um inter-relacionamento de assuntos mais rápido e gasta menos energia do cérebro para compreender o fato.

Isso não significa que não há um lugar para eBooks ou textos didáticos informatizados, no entanto. Nem Nielsen nem Garland se opõem ao uso de novas mídias para o ensino. Na verdade, ambos acreditam que há muitas situações em que elas podem oferecer vantagens reais.

Com informações do TIME.com e Psychology Today.

Stella Dauer é designer e eBook evangelist da Simplíssimo, além de editora do site Revolução eBook. Stella é especialista em gadgets, trabalha com livros desde 2006 e pesquisa e divulga o livro digital desde 2009.

One Response

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