Na Espanha, 50% Dos eBooks São Pirateados

Essa doeu. O mercado de livros digitais na Espanha está começando a se desenvolver com certa velocidade desde o segundo semestre de 2011, mas parece que os obstáculos são enormes por lá.

Em uma entrevista dada ao Publishing Perspectives, o jornalista do El País Antonio Fraguas Garrido afirma:

Convencidos de que o compartilhamento peer-to-peer é uma grande preocupação, ele afirma que “de acordo com a indústria, em 2011, 49% dos eBooks de conteúdo online disponíveis na Espanha foram distribuídos sem autorização dos detentores dos direitos próprios”. Este conteúdo pirateado tem valor de 793 milhões de euros na indústria. Em 2010, o conteúdo de livros distribuído de forma pirata foi de 40% do total. Esse aumento de 9% em um ano é suposto ser o mais elevado para qualquer conteúdo cultural, por exemplo, música ou filme.” Embora esses números tenham sido desafiados por membros altamente respeitáveis ​​e poderosos da indústria, Garrido os defende. “Este são os únicos dados disponíveis sobre esta questão. Seria ótimo se pudéssemos contar com mais informação neutra. Os números foram recolhidos pela chamada “Coalizão de Criadores”, um lobby da indústria, pelo International Data Corporation (IDC), que se apresenta como “a principal provedora global de inteligência de mercado, serviços de consultoria e eventos para a tecnologia da informação, mercados das telecomunicações e tecnologia de consumo”. Ele acrescenta que seria muito útil se o Ministério espanhol da Educação, Cultura e Desportos (MECD), cujo orçamento foi reduzido a uma ninharia pela crise, assumisse o dever de fazer um estudo próprio.

Um balde de água fria, assim pode ser chamada essa afirmação. Como podem as indústrias se desenvolverem com números como esses? A crise está forte na Espanha, e se já está difícil pagar por comida e provisões básicas, o que se pode dizer de entretenimento e cultura? Ainda assim, a população sente a necessidade de ler, e acaba recorrendo a meios ilegais para conseguir conteúdo gratuito.

Infelizmente, com essa alta taxa de pirataria, é difícil convencer editoras a investir nos eBooks.

Porém, é preciso ficar de olho nesses números. Tudo o que é demais, parece estranho. A informação pode ter sido obtida de uma grande empresa de informação e pesquisa, mas há de se pensar que nem sempre uma pesquisa acerta em cheio, e a amostra colhida pode não refletir o comportamento de todo o país.

Stella Dauer é designer e eBook evangelist da Simplíssimo, além de editora do site Revolução eBook. Stella é especialista em gadgets, trabalha com livros desde 2006 e pesquisa e divulga o livro digital desde 2009.

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